A lei de Charles, por vezes chamada de lei dos volumes, afirma que o volume de uma massa fixa de gás é diretamente proporcional à sua temperatura absoluta quando a pressão permanece constante. Em forma de equação: V ∝ T, ou de forma equivalente V/T = constante. Para dois estados do mesmo gás a pressão constante, isto dá a forma de dois pontos V₁/T₁ = V₂/T₂.
Definição
A lei de Charles afirma que o volume de uma massa fixa de gás é diretamente proporcional à sua temperatura absoluta quando a pressão é mantida constante.
A lei foi descoberta experimentalmente por Jacques Charles por volta de 1787, durante experiências com balões, embora Charles nunca tenha publicado as suas descobertas. Guillaume Amontons tinha realizado estudos semelhantes um século antes. Joseph Gay-Lussac publicou os resultados generalizados para os gases em 1808, razão pela qual alguns manuais atribuem a lei a Gay-Lussac.
A lei de Charles aplica-se a um gás ideal sujeito a um processo isobárico — um processo em que a pressão se mantém constante do início ao fim. O ar é um gás real, mas em condições quotidianas de temperatura e pressão moderadas comporta-se de forma suficientemente próxima do ideal para que a lei de Charles forneça resultados precisos e práticos, uma consequência da mesma teoria cinética molecular que descreve como as moléculas de gás se movem e colidem.
A temperatura deve ser sempre expressa em Kelvin, nunca em Celsius ou Fahrenheit, porque a relação V ∝ T só é válida para uma escala de temperatura absoluta — uma cujo zero corresponde a um verdadeiro zero físico de energia térmica. A escala Kelvin começa no zero absoluto (0 K = −273.15 °C), a temperatura na qual o movimento molecular teoricamente cessa e o volume de um gás ideal se reduziria a zero. Substituir diretamente Celsius ou Fahrenheit na fórmula produz respostas sem sentido físico.
A lei de Charles é um resultado fundamental da termodinâmica e um elemento constitutivo da mais abrangente Lei dos Gases Combinada e da Lei dos Gases Ideais (PV = nRT).